Nova sede da Cemig atrasa devido a “andar de Pimentel”
O novo prédio da Cemig custou cerca de R$ 290 milhões, e a previsão inicial de entrega era no último trimestre do ano passado
PUBLICADO EM 01/06/15 - 03h00
RICARDO CORRÊA / LUCAS RAGAZZI/O TEMPO
Já em fase de acabamento, o novo prédio da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig), na avenida Barbacena, na região Centro-Sul da capital, ainda não recebeu os funcionários e diretores da estatal por conta de um curioso pedido do governador Fernando Pimentel (PT). De acordo com interlocutores ligados à Cemig ouvidos pelo Aparte, o 9º andar do edifício será inteiramente destinado ao governador. Com isso, o petista teria pedido que modificações fossem feitas na estrutura do local, atrasando a entrega.
“Não é certo, ainda, se ele despachará de lá, mas o andar está sendo praticamente reservado a ele”, diz uma fonte. Por conta da longa distância entre o Palácio das Mangabeiras, residência oficial do governador, e a Cidade Administrativa, por algumas vezes Pimentel já despachou e exerceu ações diretamente de seu escritório particular, na zona sul da capital. É praxe, também, ver o petista fazendo importantes reuniões e encontros no Palácio da Liberdade, antiga sede do governo.
O novo prédio da Cemig custou cerca de R$ 290 milhões, e a previsão inicial de entrega era no último trimestre do ano passado. O prédio terá 30 andares, sendo cinco subterrâneos, com cerca de 480 vagas de garagem. Os andares possuem área média de 1.100 m² brutos. O prédio será ocupado pela Cemig e empresas do grupo.
Procurada pela coluna, a Cemig afirmou que não há previsão de que o governador tenha uma área no prédio e disse, por meio de nota, que a construção está “em fase de acabamento, após a qual ainda será necessário colocar todo o mobiliário, os cabos de telefonia e internet, entre outros”.
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terça-feira, 21 de julho de 2015
quinta-feira, 2 de julho de 2015
Governo Pimentel : Aumento de tarifas da Cemig quebra a indústria de Minas
Alto custo da energia tem inviabilizado a produção de empresas no Estado
Só desconto em energia salva indústrias de Minas
Tatiana Moraes e Bruno Porto - Hoje em Dia
Wikicommons/Divulgação
Respirando por aparelhos, as indústrias eletrointensivas de Minas Gerais têm no Congresso a última esperança para voltar a operar. Ou o tiro de misericórdia. A expectativa dos representantes das empresas que têm a energia como matéria-prima é a de que a bancada mineira de deputados e senadores consiga inserir uma emenda na Medida Provisória (MP) 677, assinada pela presidente Dilma Rousseff no dia 23 de junho, estendendo às companhias do Estado o benefício de redução no preço da energia.
A MP deu a um grupo de empresas localizadas no Nordeste a possibilidade de comprar energia na casa dos R$ 130 o megawatt-hora (MWh) a partir dessa quarta-feira (1°). O objetivo é estender o contrato que essas companhias mantêm com a Companhia Energética do São Francisco (Chesf) até 8 de fevereiro de 2037.
“Por meio de emenda, tentaremos ampliar o benefício para, pelo menos, as empresas que estão no território da Sudene (Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste)”, afirma o deputado estadual Gil Pereira (PP). A área mineira da Sudene é composta por 168 municípios com território superior aos estados de Alagoas, Sergipe e Paraíba.
Embora o valor do contrato que foi fechado para as empresas do Nordeste não seja o mesmo que vigorava no passado, ele é bem inferior ao praticado nas demais áreas do país. As indústrias de ferroligas instaladas em Minas Gerais, por exemplo, não conseguiram chegar a um acordo sobre o valor do megawatt-hora comercializado junto à Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) e estão descontratadas. Como reflexo, cerca de 80% da capacidade produtiva do Estado está parada.
De acordo com o presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Ferroligas e de Silício Metálico (Abrafer), Henrique Simões Zica, as empresas do setor possuíam contratos com a estatal mineira na casa dos R$ 70 o MWh. Esses documentos, no entanto, vigoraram por cerca de dez anos e venceram em 31 de dezembro do ano passado. Como os reservatórios estão em baixa, o valor do MWh saltou para a casa dos R$ 400. Nesse preço, Zica afirma que é impossível produzir.
Para piorar o quadro, se o benefício do subsídio da energia for concedido apenas às empresas do Nordeste, as companhias que atuam em outros estados terão o que resta da competitividade ameaçada. Atualmente, 18 indústrias são associadas à Abrafe. Destas, 15 estão em Minas , que respondem por 70% da produção brasileira.
Segmento de ferroligas já desligou 53 fornos no Estado e demitiu pelo menos 4 mil pessoas
Dos oito mil postos de trabalho diretos gerados pela indústria de ferroligas, pelo menos quatro mil já foram encerrados, de acordo com dados da Federação Sindical e Democrática dos Metalúrgicos de Minas Gerais. E, sem os benefícios da redução no valor da energia, o quadro de desempregados vai aumentar ainda mais. Vale ressaltar que dos 66 fornos da indústria mineira de ferroligas, 53 estão abafados.
“Só assim (com o benefício do governo federal) será possível retomar a produção industrial e pôr fim à onda de demissões em massa que ameaça a economia de Pirapora, Várzea da Palma, Montes Claros e outros polos industriais”, afirma o prefeito de Pirapora, Léo Silveira. De acordo com dados da Abrafe, as indústrias eletrointensivas são responsáveis por 40% do Produto Interno Bruto (PIB) das pequenas cidades em que estão instaladas.
Na avaliação do presidente do Conselho de Política Econômica e Industrial da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Lincoln Fernandes, o quadro das indústrias eletrointensivas é muito grave e vai piorar caso o benefício não seja estendido ao restante do Brasil. “A indústria de Minas Gerais e a de São Paulo vão amargar ainda mais prejuízos”, afirma.
Além da indústria de ferroligas, Fernandes cita a indústria siderúrgica e a de ferro-gusa como as mais prejudicadas. “São setores que possuem empresas concorrentes diretos no Nordeste. Se apenas eles forem beneficiados, o parque mineiro será comprometido definitivamente”, afirma.
Ferroligas são misturas de metais ou outros elementos químicos adicionados ao aço
http://www.hojeemdia.com.br/noticias/economia-e-negocios/so-desconto-em-energia-salva-industrias-de-minas-1.328855
Só desconto em energia salva indústrias de Minas
Tatiana Moraes e Bruno Porto - Hoje em Dia
Wikicommons/Divulgação
Respirando por aparelhos, as indústrias eletrointensivas de Minas Gerais têm no Congresso a última esperança para voltar a operar. Ou o tiro de misericórdia. A expectativa dos representantes das empresas que têm a energia como matéria-prima é a de que a bancada mineira de deputados e senadores consiga inserir uma emenda na Medida Provisória (MP) 677, assinada pela presidente Dilma Rousseff no dia 23 de junho, estendendo às companhias do Estado o benefício de redução no preço da energia.
A MP deu a um grupo de empresas localizadas no Nordeste a possibilidade de comprar energia na casa dos R$ 130 o megawatt-hora (MWh) a partir dessa quarta-feira (1°). O objetivo é estender o contrato que essas companhias mantêm com a Companhia Energética do São Francisco (Chesf) até 8 de fevereiro de 2037.
“Por meio de emenda, tentaremos ampliar o benefício para, pelo menos, as empresas que estão no território da Sudene (Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste)”, afirma o deputado estadual Gil Pereira (PP). A área mineira da Sudene é composta por 168 municípios com território superior aos estados de Alagoas, Sergipe e Paraíba.
Embora o valor do contrato que foi fechado para as empresas do Nordeste não seja o mesmo que vigorava no passado, ele é bem inferior ao praticado nas demais áreas do país. As indústrias de ferroligas instaladas em Minas Gerais, por exemplo, não conseguiram chegar a um acordo sobre o valor do megawatt-hora comercializado junto à Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) e estão descontratadas. Como reflexo, cerca de 80% da capacidade produtiva do Estado está parada.
De acordo com o presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Ferroligas e de Silício Metálico (Abrafer), Henrique Simões Zica, as empresas do setor possuíam contratos com a estatal mineira na casa dos R$ 70 o MWh. Esses documentos, no entanto, vigoraram por cerca de dez anos e venceram em 31 de dezembro do ano passado. Como os reservatórios estão em baixa, o valor do MWh saltou para a casa dos R$ 400. Nesse preço, Zica afirma que é impossível produzir.
Para piorar o quadro, se o benefício do subsídio da energia for concedido apenas às empresas do Nordeste, as companhias que atuam em outros estados terão o que resta da competitividade ameaçada. Atualmente, 18 indústrias são associadas à Abrafe. Destas, 15 estão em Minas , que respondem por 70% da produção brasileira.
Segmento de ferroligas já desligou 53 fornos no Estado e demitiu pelo menos 4 mil pessoas
Dos oito mil postos de trabalho diretos gerados pela indústria de ferroligas, pelo menos quatro mil já foram encerrados, de acordo com dados da Federação Sindical e Democrática dos Metalúrgicos de Minas Gerais. E, sem os benefícios da redução no valor da energia, o quadro de desempregados vai aumentar ainda mais. Vale ressaltar que dos 66 fornos da indústria mineira de ferroligas, 53 estão abafados.
“Só assim (com o benefício do governo federal) será possível retomar a produção industrial e pôr fim à onda de demissões em massa que ameaça a economia de Pirapora, Várzea da Palma, Montes Claros e outros polos industriais”, afirma o prefeito de Pirapora, Léo Silveira. De acordo com dados da Abrafe, as indústrias eletrointensivas são responsáveis por 40% do Produto Interno Bruto (PIB) das pequenas cidades em que estão instaladas.
Na avaliação do presidente do Conselho de Política Econômica e Industrial da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Lincoln Fernandes, o quadro das indústrias eletrointensivas é muito grave e vai piorar caso o benefício não seja estendido ao restante do Brasil. “A indústria de Minas Gerais e a de São Paulo vão amargar ainda mais prejuízos”, afirma.
Além da indústria de ferroligas, Fernandes cita a indústria siderúrgica e a de ferro-gusa como as mais prejudicadas. “São setores que possuem empresas concorrentes diretos no Nordeste. Se apenas eles forem beneficiados, o parque mineiro será comprometido definitivamente”, afirma.
Ferroligas são misturas de metais ou outros elementos químicos adicionados ao aço
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