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terça-feira, 20 de outubro de 2015
Aécio : "Quem rebaixou o Brasil foi o governo do PT"
É inconcebível o que o PT tem feito ao Brasil. Sob qualquer ponto de vista –econômico, político, ético–, o que assistimos é a revelação estarrecedora da dimensão do fracasso petista. Que algo ia mal já se sabia havia muito tempo, mas é inacreditável a magnitude do precipício em que fomos jogados.
A combinação letal de sandice econômica, demagogia política e irresponsabilidade gerencial provocou uma derrocada gigantesca que nos custará anos de sacrifício para ser superada. Essa é a verdade, nua e crua.
Vejamos algumas notas tristes das últimas semanas: um milhão de empregos foram eliminados neste ano, a inadimplência atinge mais da metade das empresas brasileiras, 26 dos 27 Estados encontram-se em recessão, o país lidera a fuga de capital entre os países emergentes. A lista de números negativos é enorme.
O governo mentiu ao governar, mentiu para se reeleger, mente agora para se defender. Chega a ser patético o ir e vir de posições oficiais: num dia, o governo nega de pés juntos a existência das famosas pedaladas fiscais; no outro, ao ser condenado por unanimidade pelo Tribunal de Contas da União, alega que elas foram cometidas para manter os benefícios sociais.
A verdade é que os programas sociais como Bolsa Família e Minha Casa, Minha Vida não somaram nem 4% da despesa primária do governo central. O maior volume de pedaladas foi a conta de R$ 50 bilhões de subsídios concedidos e ainda não pagos pelo Tesouro a grandes empresas pelo governo, via bancos públicos.
O PT sempre desprezou a Lei de Responsabilidade Fiscal. O ideário petista não prioriza o equilíbrio das contas públicas com o pretexto do discurso do atendimento aos mais pobres. Falácia. A máscara caiu. São os programas sociais que atendem aos mais vulneráveis, os que mais sentem as consequências dos desatinos cometidos ao longo dos últimos anos. Educação e saúde foram áreas que tiveram grandes cortes. A inflação cresce, e o Bolsa Família não tem reajuste há mais de um ano.
O PT errou grosseiramente nos fundamentos econômicos. E quem paga a conta são os mais pobres.
Infelizmente o governo não tem respostas críveis. A orquestrada verborragia de suas lideranças procura mais uma vez separar o Brasil entre "eles" e "nós". O discurso da vitimização, de tão usado, já não surte efeito. É impossível salvar o que foi destruído: reputação e confiança.
Não há esteio moral para quem herdou um país arrumado, respeitado, na boa trilha do crescimento, e o coloca agora nesse estado de desequilíbrio, sem credibilidade, à deriva. Com tantas barbeiragens, quem rebaixou o Brasil não foram as agências de risco A ou B. Foi o governo do PT.
sexta-feira, 14 de agosto de 2015
Governo Pimentel: Mais um homem de confiança de Fernando Pimentel sob suspeita
Homem de confiança de Pimentel na berlinda
Thiago Ricci - Hoje em Dia
Aliado do governador Fernando Pimentel (PT) desde os tempos de Prefeitura de Belo Horizonte, no fim da década de 1990, o ex-sócio do petista e hoje assessor especial do governo mineiro, Otílio Prado, montou uma rede de empresas que atuaram na campanha eleitoral de 2014. Filho, sobrinha e outros parentes de Otílio são donos de ao menos três empresas que receberam praticamente R$ 1,8 milhão da campanha de Pimentel, que voltou a ser alvo de investigação do Ministério Público.
Parte do pagamento feito pelo PT às empresas recebeu um pente fino da equipe técnica do Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais (TRE-MG), que reprovou neste mês as contas petistas das eleições.
As firmas contratadas durante a campanha de 2014 foram BBC Consultoria e Negócios, QA Consulting e AAP Instalação e Manutenção. Mesmo com objetos sociais distintos, as empresas dividem dois endereços na região Noroeste de Belo Horizonte. Há, além das citadas, até uma loja de roupas femininas compartilhando sede.
Ao menos seis parentes próximos de Otílio foram envolvidos nas empresas: dois filhos, uma nora, um cunhado, uma sobrinha e uma sobrinha-neta.
Relação antiga
Otílio acompanha de perto Pimentel desde o fim da década de 90. Em 1999, ainda na gestão de Célio de Castro (PSB), na qual o atual governador foi secretário da Fazenda, Otílio foi nomeado secretário particular do gabinete do prefeito, de onde só saiu em 2011, já com Marcio Lacerda (PSB), quando o PT ainda integrava a gestão. Durante mais de uma década, a nomenclatura do cargo mudou, mas não a proximidade com o gestor. Otílio também participou de três conselhos da administração.
Pimentel e Otílio foram sócios da empresa de consultoria P-21 entre a criação dela, em 2009, e 2012, quando o atual governador saiu da sociedade após denúncias de consultorias fantasmas. A firma passou a se chamar OPR Consultoria Imobiliária, foi transferida ao filho mais velho, Alexandre, e, no último mês, foi alvo de uma etapa da Operação Acrônimo, da Polícia Federal.
Os policiais, que investigam suposta lavagem de dinheiro e Caixa 2 a partir de contratos públicos, recolheram documentos e um computador da sede da OPR, na Zona Sul da capital. Na ocasião, o escritório político de Pimentel também foi alvo da ação.
Parentes dividem empresas de ramos distintos em um mesmo endereço em Belo Horizonte
Ao menos cinco empresas de parentes de Otílio funcionam, conforme registros na Junta Comercial, em apenas dois endereços na região Noroeste de BH. Três são responsáveis por receber cerca de R$ 1,8 milhão da campanha petista nas eleições de 2014. Parte desses pagamentos passou por auditoria do TRE-MG.
Em um dos locais, no bairro Carlos Prates, funcionam a QAConsulting, BBC e outra empresa registrada no nome de Alexandre Allan Prado e um cunhado de Otílio. Mesmo dividindo o endereço, as firmas possuem objetos sociais distintos.
A BBC, conforme o Hoje em Dia já revelou, foi criada pouco antes do período eleitoral, em abril de 2014, no nome da sobrinha Adriana Teixeira e sobrinha neta Samantha Teixeira Gomes de Prado.
A empresa chamava-se BBC Consultoria e Negócios e tinha como objeto social, dentre outros, prestar consultoria nos ramos de administração e organizar palestras e seminários sobre assuntos de interesse empresarial. Recebeu durante as eleições R$ 822 mil para prestar serviços de gestão de eventos políticos, incluindo logística de transporte, estadia e alimentação de Pimentel e da então candidata Dilma Rousseff.
Após o primeiro turno, o nome foi modificado para BBC Locação e Negócios e passou a ter como atividade econômica principal “locação de veículos, carros e caminhões e ônibus”.
A QAConsulting, que recebeu R$ 20 mil do PT durante as eleições, foi criada em 2002 pelos filhos de Otílio, Alexandre e Gustavo Daniel Prado. No início deste ano, Gustavo saiu do quadro societário, que passou a ter como sócio majoritário o cunhado de Otílio, Mauricio Gomes.
Já no bairro Padre Eustáquio está registrada a AAP, cujo nome fantasia é QACabling, no mesmo endereço onde funciona uma loja de roupas femininas da esposa de Alexandre.
A firma foi criada pelo próprio Alexandre em 2002 com o objeto social “serviços de instalação, manutenção elétrica, bem como cabeamento estruturado” e instalação de redes de computador. Em 2013, o filho de Otílio saiu da sociedade, mas a empresa continuou registrada no mesmo local. Um ano depois, recebeu R$ 950 mil da campanha petista em Minas.
A reportagem procurou Otílio e todas as empresas citadas. Não obteve retorno até o fechamento. Atualmente, Otílio é assessor especial da Fazenda e integrantes de três conselhos. O salário líquido é de cerca R$ 18 mil. O filho dele, Gustavo, é diretor de Negócios da Prodemge.
No dia 26 de junho, o Hoje em Dia divulgou a 2ª etapa da Operação Acrônimo, na qual o escritório político de Pimentel e a sede da OPR foram alvos de buscas. Na mesma semana, o jornal havia publicado o resultado da auditoria realizada em pagamentos a firmas ligadas a Otílio
Editoria de Arte
Thiago Ricci - Hoje em Dia
Aliado do governador Fernando Pimentel (PT) desde os tempos de Prefeitura de Belo Horizonte, no fim da década de 1990, o ex-sócio do petista e hoje assessor especial do governo mineiro, Otílio Prado, montou uma rede de empresas que atuaram na campanha eleitoral de 2014. Filho, sobrinha e outros parentes de Otílio são donos de ao menos três empresas que receberam praticamente R$ 1,8 milhão da campanha de Pimentel, que voltou a ser alvo de investigação do Ministério Público.
Parte do pagamento feito pelo PT às empresas recebeu um pente fino da equipe técnica do Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais (TRE-MG), que reprovou neste mês as contas petistas das eleições.
As firmas contratadas durante a campanha de 2014 foram BBC Consultoria e Negócios, QA Consulting e AAP Instalação e Manutenção. Mesmo com objetos sociais distintos, as empresas dividem dois endereços na região Noroeste de Belo Horizonte. Há, além das citadas, até uma loja de roupas femininas compartilhando sede.
Ao menos seis parentes próximos de Otílio foram envolvidos nas empresas: dois filhos, uma nora, um cunhado, uma sobrinha e uma sobrinha-neta.
Relação antiga
Otílio acompanha de perto Pimentel desde o fim da década de 90. Em 1999, ainda na gestão de Célio de Castro (PSB), na qual o atual governador foi secretário da Fazenda, Otílio foi nomeado secretário particular do gabinete do prefeito, de onde só saiu em 2011, já com Marcio Lacerda (PSB), quando o PT ainda integrava a gestão. Durante mais de uma década, a nomenclatura do cargo mudou, mas não a proximidade com o gestor. Otílio também participou de três conselhos da administração.
Pimentel e Otílio foram sócios da empresa de consultoria P-21 entre a criação dela, em 2009, e 2012, quando o atual governador saiu da sociedade após denúncias de consultorias fantasmas. A firma passou a se chamar OPR Consultoria Imobiliária, foi transferida ao filho mais velho, Alexandre, e, no último mês, foi alvo de uma etapa da Operação Acrônimo, da Polícia Federal.
Os policiais, que investigam suposta lavagem de dinheiro e Caixa 2 a partir de contratos públicos, recolheram documentos e um computador da sede da OPR, na Zona Sul da capital. Na ocasião, o escritório político de Pimentel também foi alvo da ação.
Parentes dividem empresas de ramos distintos em um mesmo endereço em Belo Horizonte
Ao menos cinco empresas de parentes de Otílio funcionam, conforme registros na Junta Comercial, em apenas dois endereços na região Noroeste de BH. Três são responsáveis por receber cerca de R$ 1,8 milhão da campanha petista nas eleições de 2014. Parte desses pagamentos passou por auditoria do TRE-MG.
Em um dos locais, no bairro Carlos Prates, funcionam a QAConsulting, BBC e outra empresa registrada no nome de Alexandre Allan Prado e um cunhado de Otílio. Mesmo dividindo o endereço, as firmas possuem objetos sociais distintos.
A BBC, conforme o Hoje em Dia já revelou, foi criada pouco antes do período eleitoral, em abril de 2014, no nome da sobrinha Adriana Teixeira e sobrinha neta Samantha Teixeira Gomes de Prado.
A empresa chamava-se BBC Consultoria e Negócios e tinha como objeto social, dentre outros, prestar consultoria nos ramos de administração e organizar palestras e seminários sobre assuntos de interesse empresarial. Recebeu durante as eleições R$ 822 mil para prestar serviços de gestão de eventos políticos, incluindo logística de transporte, estadia e alimentação de Pimentel e da então candidata Dilma Rousseff.
Após o primeiro turno, o nome foi modificado para BBC Locação e Negócios e passou a ter como atividade econômica principal “locação de veículos, carros e caminhões e ônibus”.
A QAConsulting, que recebeu R$ 20 mil do PT durante as eleições, foi criada em 2002 pelos filhos de Otílio, Alexandre e Gustavo Daniel Prado. No início deste ano, Gustavo saiu do quadro societário, que passou a ter como sócio majoritário o cunhado de Otílio, Mauricio Gomes.
Já no bairro Padre Eustáquio está registrada a AAP, cujo nome fantasia é QACabling, no mesmo endereço onde funciona uma loja de roupas femininas da esposa de Alexandre.
A firma foi criada pelo próprio Alexandre em 2002 com o objeto social “serviços de instalação, manutenção elétrica, bem como cabeamento estruturado” e instalação de redes de computador. Em 2013, o filho de Otílio saiu da sociedade, mas a empresa continuou registrada no mesmo local. Um ano depois, recebeu R$ 950 mil da campanha petista em Minas.
A reportagem procurou Otílio e todas as empresas citadas. Não obteve retorno até o fechamento. Atualmente, Otílio é assessor especial da Fazenda e integrantes de três conselhos. O salário líquido é de cerca R$ 18 mil. O filho dele, Gustavo, é diretor de Negócios da Prodemge.
No dia 26 de junho, o Hoje em Dia divulgou a 2ª etapa da Operação Acrônimo, na qual o escritório político de Pimentel e a sede da OPR foram alvos de buscas. Na mesma semana, o jornal havia publicado o resultado da auditoria realizada em pagamentos a firmas ligadas a Otílio
Editoria de Arte
terça-feira, 21 de julho de 2015
Pimentel quer para si um andar inteiro na CEMIG e com isso atrasa obras
Nova sede da Cemig atrasa devido a “andar de Pimentel”
O novo prédio da Cemig custou cerca de R$ 290 milhões, e a previsão inicial de entrega era no último trimestre do ano passado
PUBLICADO EM 01/06/15 - 03h00
RICARDO CORRÊA / LUCAS RAGAZZI/O TEMPO
Já em fase de acabamento, o novo prédio da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig), na avenida Barbacena, na região Centro-Sul da capital, ainda não recebeu os funcionários e diretores da estatal por conta de um curioso pedido do governador Fernando Pimentel (PT). De acordo com interlocutores ligados à Cemig ouvidos pelo Aparte, o 9º andar do edifício será inteiramente destinado ao governador. Com isso, o petista teria pedido que modificações fossem feitas na estrutura do local, atrasando a entrega.
“Não é certo, ainda, se ele despachará de lá, mas o andar está sendo praticamente reservado a ele”, diz uma fonte. Por conta da longa distância entre o Palácio das Mangabeiras, residência oficial do governador, e a Cidade Administrativa, por algumas vezes Pimentel já despachou e exerceu ações diretamente de seu escritório particular, na zona sul da capital. É praxe, também, ver o petista fazendo importantes reuniões e encontros no Palácio da Liberdade, antiga sede do governo.
O novo prédio da Cemig custou cerca de R$ 290 milhões, e a previsão inicial de entrega era no último trimestre do ano passado. O prédio terá 30 andares, sendo cinco subterrâneos, com cerca de 480 vagas de garagem. Os andares possuem área média de 1.100 m² brutos. O prédio será ocupado pela Cemig e empresas do grupo.
Procurada pela coluna, a Cemig afirmou que não há previsão de que o governador tenha uma área no prédio e disse, por meio de nota, que a construção está “em fase de acabamento, após a qual ainda será necessário colocar todo o mobiliário, os cabos de telefonia e internet, entre outros”.
O novo prédio da Cemig custou cerca de R$ 290 milhões, e a previsão inicial de entrega era no último trimestre do ano passado
PUBLICADO EM 01/06/15 - 03h00
RICARDO CORRÊA / LUCAS RAGAZZI/O TEMPO
Já em fase de acabamento, o novo prédio da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig), na avenida Barbacena, na região Centro-Sul da capital, ainda não recebeu os funcionários e diretores da estatal por conta de um curioso pedido do governador Fernando Pimentel (PT). De acordo com interlocutores ligados à Cemig ouvidos pelo Aparte, o 9º andar do edifício será inteiramente destinado ao governador. Com isso, o petista teria pedido que modificações fossem feitas na estrutura do local, atrasando a entrega.
“Não é certo, ainda, se ele despachará de lá, mas o andar está sendo praticamente reservado a ele”, diz uma fonte. Por conta da longa distância entre o Palácio das Mangabeiras, residência oficial do governador, e a Cidade Administrativa, por algumas vezes Pimentel já despachou e exerceu ações diretamente de seu escritório particular, na zona sul da capital. É praxe, também, ver o petista fazendo importantes reuniões e encontros no Palácio da Liberdade, antiga sede do governo.
O novo prédio da Cemig custou cerca de R$ 290 milhões, e a previsão inicial de entrega era no último trimestre do ano passado. O prédio terá 30 andares, sendo cinco subterrâneos, com cerca de 480 vagas de garagem. Os andares possuem área média de 1.100 m² brutos. O prédio será ocupado pela Cemig e empresas do grupo.
Procurada pela coluna, a Cemig afirmou que não há previsão de que o governador tenha uma área no prédio e disse, por meio de nota, que a construção está “em fase de acabamento, após a qual ainda será necessário colocar todo o mobiliário, os cabos de telefonia e internet, entre outros”.
quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015
Ineficiência do governo federal: Casas do "Programa Minha Casa e Minha Vida" em Minas estão inabitáveis
Programa Minha casa, minha vida em Minas está cercado de problemas
Concluídas com atraso, unidades do Minha casa, minha vida em Minas não podem ser habitadas porque nelas faltam luz, água, calçada e infraestrutura. Obra já consumiu quase R$ 1,8 milhã
Alessandra Mello
Erguidas em terreno íngreme, algumas das casas do conjunto em Paulistas receberam contenção improvisada com sacos de areia e tábuas
A tão sonhada casa própria parecia enfim virar realidade para famílias carentes de Paulistas, cidade de 4,9 mil habitantes no Vale do Rio Doce. Depois de mais de um ano de atraso, as obras do primeiro conjunto habitacional do Minha casa, minha vida no município aparentemente ficaram prontas em dezembro passado. Muita gente chegou a comemorar a possibilidade de deixar de viver de aluguel ou em área de risco para se mudar para uma casa nova. Mas, passados quase dois meses, o que se vê são residências coloridas abandonadas, com o mato crescendo ao redor e uma cerca de arame que impede a passagem de pessoas e carros. Sem água, luz, ruas, calçada, e muros de arrimo, as casas do conjunto habitacional Nilo Pinto de Carvalho estão vazias. Mas já custaram aos cofres públicos exatos R$ 1.751.800.
Saiba mais
Governo federal inaugura casas enquanto moradias inacabadas deterioram em Minas
Governo prepara o lançamento do Minha Casa, Minha Vida 3
Dilma se compara com "mãe e dona de casa" ao falar de cortes de benefícios e impostosFeitas com recursos do Ministério das Cidades e do Fundo Estadual de Habitação, as 37 unidades habitacionais não têm infraestrutura para receber moradores e o terreno onde foram construídas é alvo de uma disputa judicial entre a prefeitura e os supostos proprietários. As moradias ainda correriam o risco de desabamento, segundo a Câmara Municipal, pois foram erguidas em um terreno íngreme que já começa a ceder. Os vereadores chegaram a acionar a prefeitura local para resolver o problema. Para evitar um acidente, em algumas casas foram construídas proteções feitas de pedaços de tábuas e sacos de areia. Com cerca de 40 metros quadrados, cada unidade custou aproximadamente R$ 50 mil.
Eliane e José Bento moram em área de risco e sonham com a mudançaA situação em Paulistas é parecida com a de Quartel Geral e de Paineiras, na Região Central de Minas, onde, conforme mostrou ontem o Estado de Minas, conjuntos habitacionais do Minha casa, minha vida estão inacabados e se deteriorando.
Enquanto o mato cresce entre as casas em Paulistas, Eliane Pereira Marcos Rodrigues, de 36 anos, e José Bento da Silva, de 49, e os dois filhos do casal rezam para que as chuvas continuem esparsas e para que o conjunto seja concluído rapidamente.
Moradores de área de risco, eles fazem parte do rol de 40 famílias selecionadas para morar em uma das unidades do Minha casa, minha vida em Paulistas. “A nossa valência é que quase não choveu este ano”, comemora seu José, enquanto mostra os degraus feitos por ele no barranco do fundo da casa e também a contenção de lona e cimento para evitar que a cozinha desmorone. “Já perdemos três cozinhas. Elas despencaram lá embaixo na casa do vizinho na época de chuva. Esta é a quarta. Sorte que ninguém nunca machucou”, mostra Eliane, mãe de duas meninas de 13 e 5 anos. Eliane diz que, pelas informações que chegam da prefeitura, não há previsão para que as famílias se mudem para o conjunto. “O jeito é esperar.”
Segundo ela, durante a eleição deputados candidatos a mais um mandato estiveram na cidade e garantiram, com o prefeito Leandro Barroso (PSDB), que a entrega das chaves seria feita até o fim do ano e que todos passariam o Natal na casa nova. Silvana dos Anjos Oliveira, 32 anos, solteira, mãe de dois meninos, de 8 e 10 anos, também selecionada para morar no conjunto, disse que no dia 9 foi feita novamente uma reunião dos “futuros moradores” com representantes da prefeitura. Para resolver o problema da falta de água e esgotamento sanitário, conta ela, a prefeitura informou que será feita uma fossa nas casas. Sobre a luz e o restante da infraestrutura, ninguém tocou no assunto. Enquanto isso, algumas casas já apresentam rachaduras. Outras estão sem parte do forro e a fiação fica exposta, pois nenhuma delas tem laje.
A Companhia Estadual de Habitação (Cohab) alega, por meio de nota, que as “37 unidades habitacionais foram concluídos em maio de 2014”. “Essa é a parte da obra sob responsabilidade da Cohab Minas. O investimento total no Conjunto Habitacional é de R$ 1,88 milhão. Desse valor, o governo federal arcou com R$ 925 mil, por meio do programa Minha casa, minha vida. A contrapartida do governo do estado foi de R$ 826,8 mil, por meio do Fundo Estadual de Habitação. O restante, R$ 133,2 mil, refere-se à infraestrutura básica (água, esgoto, iluminação pública, pavimentação primária), de responsabilidade do município”, diz a nota.
Operação
O projeto inicial do conjunto previa a construção de 40 casas, que deveriam ter sido entregues em novembro de 2013, mas só 37 foram erguidas. Pelo menos era o que dizia a placa do governo federal instalada na obra. A execução foi feita pela Construtora Única, alvo em 2009 de uma busca e apreensão feita pela Polícia Federal (PF) durante a Operação João de Barro, que investigou um esquema de fraude em obras bancadas com recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e de emendas parlamentares ao Orçamento da União. Na época, a PF chegou a apreender dinheiro e documentos na empresa, mas não há nenhum processo contra ela tramitando na Justiça Federal e também nenhum impedimento para que possa contratar com a administração pública.
A Câmara de Paulistas já enviou um ofício ao comando da Cohab pedindo informações sobre o conjunto e dados sobre o procedimento licitatório. O prefeito não foi localizado para comentar a situação das casas. O secretário de Transporte, Obras Públicas e Urbanismo, Luciano Ferreira da Costa, disse que não poderia dar informações sobre o conjunto, pois assumiu o cargo há 45 dias e não está “inteirado do assunto”. Na construtora ninguém foi localizado para falar sobre o caso. Procurado, o Ministério das Cidades não deu informações sobre a situação dos imóveis.
Sem moradores, o mato cresce entre as casas do conjunto habitacional.
Concluídas com atraso, unidades do Minha casa, minha vida em Minas não podem ser habitadas porque nelas faltam luz, água, calçada e infraestrutura. Obra já consumiu quase R$ 1,8 milhã
Alessandra Mello
Erguidas em terreno íngreme, algumas das casas do conjunto em Paulistas receberam contenção improvisada com sacos de areia e tábuas
A tão sonhada casa própria parecia enfim virar realidade para famílias carentes de Paulistas, cidade de 4,9 mil habitantes no Vale do Rio Doce. Depois de mais de um ano de atraso, as obras do primeiro conjunto habitacional do Minha casa, minha vida no município aparentemente ficaram prontas em dezembro passado. Muita gente chegou a comemorar a possibilidade de deixar de viver de aluguel ou em área de risco para se mudar para uma casa nova. Mas, passados quase dois meses, o que se vê são residências coloridas abandonadas, com o mato crescendo ao redor e uma cerca de arame que impede a passagem de pessoas e carros. Sem água, luz, ruas, calçada, e muros de arrimo, as casas do conjunto habitacional Nilo Pinto de Carvalho estão vazias. Mas já custaram aos cofres públicos exatos R$ 1.751.800.
Saiba mais
Governo federal inaugura casas enquanto moradias inacabadas deterioram em Minas
Governo prepara o lançamento do Minha Casa, Minha Vida 3
Dilma se compara com "mãe e dona de casa" ao falar de cortes de benefícios e impostosFeitas com recursos do Ministério das Cidades e do Fundo Estadual de Habitação, as 37 unidades habitacionais não têm infraestrutura para receber moradores e o terreno onde foram construídas é alvo de uma disputa judicial entre a prefeitura e os supostos proprietários. As moradias ainda correriam o risco de desabamento, segundo a Câmara Municipal, pois foram erguidas em um terreno íngreme que já começa a ceder. Os vereadores chegaram a acionar a prefeitura local para resolver o problema. Para evitar um acidente, em algumas casas foram construídas proteções feitas de pedaços de tábuas e sacos de areia. Com cerca de 40 metros quadrados, cada unidade custou aproximadamente R$ 50 mil.
Eliane e José Bento moram em área de risco e sonham com a mudançaA situação em Paulistas é parecida com a de Quartel Geral e de Paineiras, na Região Central de Minas, onde, conforme mostrou ontem o Estado de Minas, conjuntos habitacionais do Minha casa, minha vida estão inacabados e se deteriorando.
Enquanto o mato cresce entre as casas em Paulistas, Eliane Pereira Marcos Rodrigues, de 36 anos, e José Bento da Silva, de 49, e os dois filhos do casal rezam para que as chuvas continuem esparsas e para que o conjunto seja concluído rapidamente.
Moradores de área de risco, eles fazem parte do rol de 40 famílias selecionadas para morar em uma das unidades do Minha casa, minha vida em Paulistas. “A nossa valência é que quase não choveu este ano”, comemora seu José, enquanto mostra os degraus feitos por ele no barranco do fundo da casa e também a contenção de lona e cimento para evitar que a cozinha desmorone. “Já perdemos três cozinhas. Elas despencaram lá embaixo na casa do vizinho na época de chuva. Esta é a quarta. Sorte que ninguém nunca machucou”, mostra Eliane, mãe de duas meninas de 13 e 5 anos. Eliane diz que, pelas informações que chegam da prefeitura, não há previsão para que as famílias se mudem para o conjunto. “O jeito é esperar.”
Segundo ela, durante a eleição deputados candidatos a mais um mandato estiveram na cidade e garantiram, com o prefeito Leandro Barroso (PSDB), que a entrega das chaves seria feita até o fim do ano e que todos passariam o Natal na casa nova. Silvana dos Anjos Oliveira, 32 anos, solteira, mãe de dois meninos, de 8 e 10 anos, também selecionada para morar no conjunto, disse que no dia 9 foi feita novamente uma reunião dos “futuros moradores” com representantes da prefeitura. Para resolver o problema da falta de água e esgotamento sanitário, conta ela, a prefeitura informou que será feita uma fossa nas casas. Sobre a luz e o restante da infraestrutura, ninguém tocou no assunto. Enquanto isso, algumas casas já apresentam rachaduras. Outras estão sem parte do forro e a fiação fica exposta, pois nenhuma delas tem laje.
A Companhia Estadual de Habitação (Cohab) alega, por meio de nota, que as “37 unidades habitacionais foram concluídos em maio de 2014”. “Essa é a parte da obra sob responsabilidade da Cohab Minas. O investimento total no Conjunto Habitacional é de R$ 1,88 milhão. Desse valor, o governo federal arcou com R$ 925 mil, por meio do programa Minha casa, minha vida. A contrapartida do governo do estado foi de R$ 826,8 mil, por meio do Fundo Estadual de Habitação. O restante, R$ 133,2 mil, refere-se à infraestrutura básica (água, esgoto, iluminação pública, pavimentação primária), de responsabilidade do município”, diz a nota.
Operação
O projeto inicial do conjunto previa a construção de 40 casas, que deveriam ter sido entregues em novembro de 2013, mas só 37 foram erguidas. Pelo menos era o que dizia a placa do governo federal instalada na obra. A execução foi feita pela Construtora Única, alvo em 2009 de uma busca e apreensão feita pela Polícia Federal (PF) durante a Operação João de Barro, que investigou um esquema de fraude em obras bancadas com recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e de emendas parlamentares ao Orçamento da União. Na época, a PF chegou a apreender dinheiro e documentos na empresa, mas não há nenhum processo contra ela tramitando na Justiça Federal e também nenhum impedimento para que possa contratar com a administração pública.
A Câmara de Paulistas já enviou um ofício ao comando da Cohab pedindo informações sobre o conjunto e dados sobre o procedimento licitatório. O prefeito não foi localizado para comentar a situação das casas. O secretário de Transporte, Obras Públicas e Urbanismo, Luciano Ferreira da Costa, disse que não poderia dar informações sobre o conjunto, pois assumiu o cargo há 45 dias e não está “inteirado do assunto”. Na construtora ninguém foi localizado para falar sobre o caso. Procurado, o Ministério das Cidades não deu informações sobre a situação dos imóveis.
Sem moradores, o mato cresce entre as casas do conjunto habitacional.
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